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Cultivares de Milho Disponíveis no Mercado Brasileiro na Safra 2009/10
325 cultivares de milho convencionais e 104 transgênicas são disponibilizadas no mercado de sementes do Brasil para a safra 2009/10
José Carlos Cruz Israel Alexandre Pereira Filho Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG)
Na safra 2009/10, estão sendo disponibilizadas 325 cultivares de milho convencionais. Entre elas, 49 novas cultivares (2 variedades, 3 híbridos duplos, 8 híbridos triplos e 36 híbridos simples) substituíram 26 cultivares (5 híbridos duplos, 8 híbridos triplos e 13 híbridos simples) que deixaram de ser comercializadas na safra atual, confirmando a dinâmica dos programas de melhoramento, a confiança do setor na evolução da cultura e a importância do uso da semente no aumento da produtividade. Esses dados foram obtido diretamente das empresas produtoras de sementes de milho, em materiais de divulgação e promoção das empresas do ramo, como boletins e fôlderes das cultivares de milho distribuídos gratuitamente e de outras fontes disponíveis como a ABRASEM e no Zoneamento Agrícola.
Além das cultivares convencionais, as transgênicas passaram de 19 na safra anterior para 104 na safra atual, demonstrando um grande incremento. Como uma mesma cultivar convencional pode ser comercializada com mais de uma versão transgênica, 76 cultivares normais (19 híbridos triplos e 57 híbridos simples) também são comercializadas na forma transgênica, havendo caso de uma mesma cultivar convencional apresentar até três versões transgênicas diferentes.
Para facilitar a compreensão, uma análise deve ser realizada separadamente, uma vez que toda cultivar transgênica possui também uma versão convencional.
Cultivares convencionais Uma análise crítica mostra que, como nas últimas safras, verifica-se uma consolidação da predominância no número de híbridos simples, que representam hoje 54,26% das opções de mercado. Os híbridos simples e os triplos representam, hoje, 78,74% das opções para os produtores, mostrando uma tendência na agricultura brasileira e uma maior necessidade de se aprimorar os sistemas de produção utilizados para melhor explorar o potencial genético destas sementes.
Com relação ao ciclo, as cultivares são classificadas em normais, semiprecoces, precoces e superprecoces. Algumas cultivares são classificadas, pela empresa produtora, como hiperprecoces. As cultivares classificadas como precoces representam 72,58% das opções de mercado, enquanto as hiper e as superprecoces representam 23,95%. Esta classificação quanto ao ciclo não é muito precisa.
Para efeito de zoneamento agrícola de riscos climáticos, houve uma grande mudança para a safra 2009/10. Para efeito de simulação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento classifica as cultivares em três grupos de características homogêneas: Grupo I (n < 110 dias); Grupo II (n maior ou igual a 110 dias e menor ou igual a 145 dias); e Grupo III (n >145 dias), onde n expressa o número de dias da emergência à maturação fisiológica.
Algumas empresas especificam apenas o plantio de verão ou de safra normal e a safrinha. Um maior número de empresas, entretanto, fornece mais informações, separando o plantio em cedo, normal, tardio e safrinha. Outro aspecto importante no plantio do milho safrinha é o ajuste na densidade de plantio. Como regra geral, a densidade é menor do que a recomendada para a safra normal, principalmente devido à menor disponibilidade hídrica que ocorre neste sistema de plantio.
Além da produção de grãos, há indicação de cultivares para produção de silagem de planta inteira, silagem de grãos úmidos e produção de milho verde. As características descritas nas tabelas 1 e 2 são mais adequadas para cultivares de milho para a produção de grãos e de silagem. Para as cultivares de milho de uso especiais (canjica, pipoca, doce, indústria de amido), o agricultor deverá verificar outras características importantes, de acordo com as exigências do consumidor ou da indústria processadora.
Com relação à textura do grão, verifica-se uma predominância de grãos semiduros (56,64%) e duros (28,3%) no mercado. Materiais dentados são minoria (5,7%) e geralmente são utilizados para a produção de milho verde ou produção de silagem.
Também é muito importante o conhecimento do comportamento das cultivares com relação às doenças. Na tabela 2, são apresentadas informações sobre o comportamento das cultivares com relação às principais doenças: fusariose, ferrugem comum - Puccinia sorghi, ferrugem branca - Physopella zea, ferrugem polisora - Puccinea polysora, pinta branca - Phaeosphaeria maydis, helmintosporiose - Helminthosporium turcicum, Helminthosporium maydis, enfezamento ou corn stunt, cercosporiose e doenças do colmo e dos grãos.
Cultivares transgênicas
Na safra atual, novos eventos transgênicos foram liberados oficialmente e, como conseqüência, resultaram em 104 versões transgênicas. Estas cultivares são resultantes de três eventos transgênicos para o controle de lagartas (56 cultivares contêm o evento MON 810 - marca registrada YieldGard, 24 apresentam o evento TC 1507 marca Herculex I e 12 apresentam o Agrisure TL – conhecido como Bt11) e um evento transgênico (marca registrada Roundup Ready 2), que confere resistência ao herbicida glifosato aplicado em pós-emergência (12 cultivares).
Comparando-se com a safra 2008/09, que foi a primeira safra em que o Brasil comercializou oficialmente milho geneticamente modificado, isto é, semente de milho transgênico, houve um grande avanço, o que indica necessidade de ajuste no sistema de produção. Foram comercializados, então, 19 híbridos transgênicos (4 híbridos triplos e 15 híbridos simples), que apresentam o gene Bt marca YieldGard.
Todas as versões transgênicas são também comercializadas na versão convencional e, obviamente, apresentam as mesmas características agronômicas, diferindo apenas na característica que lhe é conferida pelo evento transgênico.
As cultivares, convencionais ou transgênicas, que estão no comércio na safra 2009/10 e suas principais características e recomendações estão listadas nas tabelas 1 e 2.
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